3 Passeios para fazer no inverno

O inverno português é bem falado pelo mundo fora, isto porque a média anual do país são 300 dias de sol e enquanto o hemisfério norte está quase todo perto ou abaixo dos 0 graus, Portugal tem uma média de 8ºC a 12ºC. Neste solzinho, que para muitos estrangeiros pareceria fora de tempo, propomos alguns passseios para fazer no inverno, sem esquecer os óculos de sol e, claro, para dar outro brilho à experiência e abrir um mundo de possibilidades, uma das nossas autocaravanas.

Vamos explorar locais onde o encanto vem à tona nesta época do ano, bosques esplendorosos, vilas com casinhas de pedras típicas, encostas recortadas, poços de águas transparentes, serras glaciares e até cenários de ficção científica. Aperte o cinto!

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Na rota para Manteigas

Serra Acima – Neve, Queijos e Muita Altitude

Na Cordilheira Central Portuguesa estão a Serra do Açor, da Lousã, e o nosso destino com quase 2000 metros de altitude, a Serra da Estrela. O choque entre duas placas tectónicas dobra-se e força o terreno a subir, dando origem às montanhas, formações geologicamente recentes e pouco afetadas pelo vento e a chuva, portanto onde se encontra as maiores altitudes. A serra reserva-nos belos pontos de observação, praias fluviais, lagoas e uma cultura riquíssima, seja pelo seu povo com suas tradições, como também pela gastronomia. Quando chega o frio cobre-se de neve e também se torna cenário de grandes performances de ski e snowboard e, como tal, não poderia faltar numa lista dos melhores passeios para fazer no inverno.

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Serra da Estrela

A cidade da Covilhã é talvez a mais vinculada à Serra por ser considerada sua a porta de entrada, portanto recomendada para o estacionamento da autocaravana e para a sua devida manutenção. Uma das referências obrigatórias na cidade é a arte dos lanifícios, iniciada ainda no tempo de D. Sancho I e desenvolvida pela comunidade judaica que viu uma oportunidade rentável de negócio, como também isolamento às perseguições da Inquisição, particularmente ativa no séc. XVII e na primeira metade do séc. X. A ideia foi tão bem-sucedida que a cidade chegou a produzir todas as fardas do exército português durante o reinado de D. João V. Destacam-se a Rota da Lã, Terra dos Castelos e das Aldeias Históricas, mas há também um itinerário de arte urbana com obras de artistas portugueses contemporâneos de peso como Vhils e Bordalo II.

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Aldeias históricas

Outra cidade icônica da Serra é Seia, que batiza um queijo de ovelha amanteigado premiado mundo fora. O pão feito por lá também faz sucesso, e ganhou até um museu – é sem dúvida um belo stop para fazermos a barriga mais feliz com um pãozinho quentinho e cheio de tradição.

A 18 km e 770metros de altitude de Seia via N231 estará Loringa. A cidade alta está rodeada de montanhas que farão lembrar os Alpes Suiços, adornada por casarios graciosos e montanhas recortadas por vertentes abruptas, de carácter rural, onde se observa os costumes e tradições típicas das aldeias serranas. É lá também que está uma das praias fluviais que muitos apontam como a mais bela do país. A Praia Fluvial de Loringa é formada por pequenas piscinas, mas por estarem num vale glaciar fará o viajante questionar as coordenadas do GPS. Lá está, a ideia de uns alpes tropicais não soa nada mal.

E se vamos subir, é preciso ir até o fim. E é justamente no ponto mais alto de Portugal

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Continental, a Torre, coberto pelos seus lençóis de neve no inverno e seus 1993 metros de altitude. É uma vista magnífica e ainda existe um mini centro comercial de produtos típicos. Há também uma estância de ski e snowboard com aulas disponíveis para os curiosos, mas ainda não iniciados experienciarem tanta altura de uma maneira mais radical.

Torre, Serra da Estrela

Torre, Serra da Estrela

Um pouco mais abaixo estará a Lagoa Comprida, um lugar icónico que faria sentido tanto numa lista de passeios para fazer no inverno, como no verão ou em qualquer altura do ano. O antigo glaciar com um quilómetro de extensão, foi aproveitado para a construção de uma barragem em 1912. Nesta época tinha 6 metros de altura mas hoje em dia bate os 28. Visite ainda o Covão dos Conchos, o “sumidouro”, um túnel feito para levar água de uma lagoa à outra, entretanto conte-nos se não tem lá qualquer coisa de portal para a quinta dimensão.

lagoa famosa na Serra da Estrela Portugal

“Sumidouro” do Covãos do Conchos

Na descida da Serra, vá pela N232 em direção novamente a Manteigas. À direita da estrada estará a nascente do Rio Mondego, que segue seu percurso por impressionantes 258 km até desaguar no mar na Figueira da Foz. Recomendamos terminar o passeio com uma bela refeição regional, que inclua para começar o caldudo, um caldo de castanhas secas, siga para a Feijoada de Manteigas, feita com uma variedade de feijão graúdo que graças à altitude e águas cristalinas adquire um sabor único e uma textura aveludada. Para a hora do doce, há requeijão com doce de abóbora, bolo de crista, as cavacas, os esquecidos e os pastéis de feijoca – confirmações que a Serra da Estrela não deixa nenhum dos sentidos desatendidos.

O Douro e os seu vinhos, que tão bem aquecem a alma, não poderiam estar omissos numa lista de passeios para fazer no inverno

O passeio invernal pelo Douro pode intimidar alguns, mas vemos como uma janela de oportunidade para desfrutar das rotas mais vazias como também da beleza singular do local. Poderá aproveitar o menor fluxo de turistas e visitar por exemplo o Museu do Douro. A exposição fixa “Douro: Matéria e Espírito” é uma verdadeira viagem à história deste vinho tão icónico. Dos antigos rótulos e cartazes ao centro de conservação e restauro, há também um wine bar e uma vista para o rio espetacular. O Museu fica em Peso da Régua, a 122 km do Porto via A4.

visitar o douro no inverno

Rio Douro

Na cidade de Favaios temos a Enoteca Quinta da Avessada, também um destino para ampliarmos nosso conhecimento acerca dos vinhos. A visita é interativa e leva-nos para um mergulho não só sobre a história do vinho moscatel, tesouro da região, como tudo que se desenvolveu e desenvolve a partir dele culturalmente. A Enoteca está situada entre imponentes vinhas e fica-se a conhecer todo o processo da produção, desde o plantio e envelhecimento e à fase final de comercialização. O grand finale é, claro, a degustação de um dos melhores vinhos da região.

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Parque Nacional de Montesinho, a fronteira transmontana

Na fronteira com o território espanhol está o Parque Natural de Montesinho, no Nordeste Transmontano, onde as aldeias típicas estão a ser alvo de recuperação e estão cada vez mais bonitas. Mas prepara-te, pois, maior altitude, menor as temperaturas. Nas aldeias de Gimonde, Rio Onor e Montesinho vais encontrar conforto no calor da hospitalidade de seus habitantes, paisagens soberbas, riqueza patrimonial e as tradições do quotidiano rural.

Em Bragança encontrará um impressionante núcleo medieval – a cidadela murada abriga a torre, o pelourinho, a igreja e ainda um edifício de arquitetura única na península ibérica. Uma construção civil românica num formato hexagonal, acredita-se que em outrora as autoridades locais reuniam-se ali, que passaria a ser chamada de Domus Municipalis.

Castelo de Bragança

Castelo de Bragança

A culinária local é riquíssima e um forte apelo dos passeios para fazer no inverno, pelo menos em Portugal. Aqui, a cultura gratronómica também se caracterizada pelo não desperdício de quando não dispomos de muito. A comida acaba por ser testemunho da história de um povo por isso acreditamos que merece ser lembrada e também celebrada. A não perder: o pastel de chaves, a água de unto – prato que era consumido pelos agricultores antes de um dia de trabalho pesado, a feijoada e o cabrito à transmontana, os papos de anjo e também os toucinhos do céu.

Em Macedo de Cavaleiros está um dos rituais mais antigos do país, chamado até por alguns historiadores de “carnaval mais genuíno de Portugal”. Os homens portam trajes coloridos feitos de lã e linho, máscaras de metal e madeira, e os chocalhos vão à cintura. Esta tradição resiste desde os tempos celtas, sendo considerada Patrimônio Imaterial pela Unesco e, por si só, justifica colocar Macedo entre os destinos contemplados nas nossas sugestões de passeios para fazer no inverno. Será uma experiência única, prova de persistência ao tempo e de como pode ser rica e plural a cultura de uma região.

On The Go: distâncias e coordenadas

  • LISBOA-MANTEIGAS: 313 KM VIA A23/ A1
  • ROTA DAS FAIAS: GPS N 40º25’24.79″ , W 7º30′ 58,95″
  • POÇO DO INFERNO: GPS N 40º 22′ 59,75” ,W 7º 31′ 18,42′
  • COVÃO D’AMETADE: GPS N 40°19’41.3″ W 7°35’13.2″
  • LISBOA-COVILHÃ: 278 KM VIA A23/A1
  • TORRE: GPS N 40º 19′ 18,47” , 7º 36′ 49,81” W
  • LAGOA COMPRIDA: GPS N 40°21’50”, 7°38’57”W
  • COVÃO DOS CONCHOS: GPS N 40°21’55.0″ 7°38’47.8″W